quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ciclo da vida*

É, a vida gira... tem um ciclo normal de acontecimentos por nós desconhecidos!
Nós giramos com a vida, percorremos caminhos que julgamos rectos mas estão cheio de curvas, buracos, lombas que nos obrigam a abrandar e por vezes acidentes que nos obrigam a parar.
Mas a vida é cíclica acima de tudo nas relações interpessoais que somos obrigados a criar e a desenvolver para podermos crescer, evoluir mas também manipular.
Quer acreditem ou não, não é só a vida que tem prazo de validade, as relações também, tudo gira e o que hoje faz todo o sentido, amanhã o nosso olhar vai mudar por completo e afinal o que era nítido passa a ser distorcido e assim sucessivamente.
Conhecem a relação de amizade, essa para mim é aquela que mais prazo de validade tem, é a mais fugaz, mas é também a que mais muda, nós crescemos e vivemos momentos e sabores diferentes a toda a hora, ouvimos melodias com acordes diferentes e aí a certeza da loucura momentânea faz-nos questionar...
É também a base e faz todo o sentido que exista, que cresça que se transforme tal e qual o individuo que a cultiva! Segue valores interessantes, brilha de forma inexplicável, e cada dia, a cada passo, a cada abraço, a cada partilha cresce, e pormenores passam a fazer parte de uma cumplicidade inexplicável, de uma saudade e necessidade que alimenta. 

É acima de tudo, de pormenores que a vida se alimenta, de sentimentos trocados e apaixonados que nos fazem levitar e viver dois mundos, o da realidade que nos provoca muitas vezes tremores, medos, fuga e vontades menos boas e o da fantasia, o idílico, o da outra margem que contém aconchego, gestos e palavras bonitas!





sábado, 21 de julho de 2012

Impotência*

Ao contrário de um tempo quase passado quase presente, este é um tempo de poder e conseguir!
É um tempo de sim, um tempo suave, claro e translucido, onde as prefeições são visíveis mas tornam-se impotentes!
É um momento de medo, de exercício escusado para recusar, de uma força que impede e frustra!
É um momento de meta, de limite, onde o querer tem de virar a poder, a satisfazer; é um momento de impulso sem recusa, com liberdade.
É um tempo estabelecido com limite próximo e caminho na direcção certa.

No fundo, é medo que gera impotência, que estagna, que limita, mas que espera energia, vontade, acção para que contrarie o esperado e demonstre o desejado!


domingo, 8 de julho de 2012

Imaginando


É verdade, digo-vos que dentro de pouco tempo estarei na posição de que gosto, a de viajante. O destino esse é o mesmo de muitas outras vezes, mas acreditem ou não sempre que viajo para lá tudo muda, ou vou com um objectivo concreto ou vou em busca da fuga do momento ou vou tentar organizar uma vida como a minha que anda quase sempre desorganizada por si só!
Desta vez, não é diferente, mas é especial, porque vou num transporte diferente, com uma paisagem diferente, sozinha mas no meio de pessoas também elas diferentes, com pensamentos diferentes, imaginando situações diferentes e retendo tudo o quanto de novo existe pois desta vez tenho que contar de forma diferente, vivendo diferente.
Tal como disse hoje, estamos com "destinos diferentes mas com pensamentos iguais", pois ambos estamos em pela viagem, a reforçar pensamentos e emoções.
Adoro encarnar esta minha alma de viajante, despreocupada, bronzeada do sol, com tons terra vestidos, cabelo encaracolado sob a brisa do vento e que desta vez quero sentir como segredo, o teu toque, o teu cheiro, fruto da minha imaginação presente.
Juntamente, imagino-te a ti, com esse sorriso de quem usufrui dos momentos tantas vezes privados da companhia do igual, a ser acarinhado, no banco da frente do jipe que brota cor terra, com um charme cativante, picante, que deriva de uma barba despreocupada e de uma cor conquistada enaltecendo as marcas do corpo, delineado.
Por fim, vou imaginando um nós, num fim de tarde, desprezando as horas, rodopiando ao som das ondas, tocando o céu com o prazer dos corpos bronzeados, ao longe a linha do horizonte que entrelaça nos nossos dedos um destino sem nome, construído peça a peça., desenhando assim, uma tela digna de ser vivida e absorvida.






quinta-feira, 28 de junho de 2012

Segurança

Cada vida é feita de várias áreas distintas, que versam sobre ambientes, comportamento, verdades e mentiras, sentimentos e ilusões igualmente contraditórios. Em todas estas áreas giram emoções, emoções estas que nos põe à prova todos os dias, que nos acarinham e insultam a cada instante, que provocam a instabilidade emocional e de arrasto o sentimento de insegurança. 
Sim, foi insegurança que senti sempre, que sinto hoje, tal e qual como à anos atrás, insegurança provocada por vocês egoístas que me pertencem e que vivem de forma individual, cada um para seu canto, comigo no meio, a balançar, a ser o ping pong do vosso mundo, a inalar fúria, raiva e desespero, a engolir as lágrimas sensíveis e constantes, que só registam momentos idílicos de fuga. 
Fugir, é isso, fugir para um canto longe, encolher os meus medos, dissipar desta prisão construída e viver, viver muito, outras paisagens, outras cores, aprender a ver cores belas e brilhantes, aprender a saborear novos sabores, doces, açucarados, apurados e picantes. Chega de só conhecer o amargo! 
Sabem, à bem pouco tempo deram-me a provar o doce, e ao contrário das outras vezes todas, eu desta vez quis provar, sentir se realmente era fofo e não enganava como o algodão e aí, aí tenho ido provando, devagarinho e gostanto, gostando muito até, e sabem porquê? Porque provo segurança e protecção, provo palavras bonitas, provo toque, provo um caminho novo que eu quero desbravar, um caminho só meu mas com consequências nos outros. Sim, eu sei, eu sou uma só, mas quando caminho, neste caminho de segurança, muitos são os que me sentem e abordam, gostando do que vêm, apoiando mesmo não sabendo, aconchegando-me a mim cada vez mais, neste percurso que quero seguir, contigo, comigo, connosco! 

Mas, avisaram-me e é um facto, este caminho tem de ser amplo, pois de dois não se faz uma vida, e por isso, temos caminhos e travessas abertas, para que sempre que precisemos vermos outras vidas, vermos outros cantos e assim sentirmos os feedback, pormenor a pormenor de cada um de vocês, com partilhas, observações, gentilezas, apoio, e acima de tudo, com olhares, pois assim, "todos nós sabemos, mas ninguém sabe", mantendo a privacidade desta segurança bela, pura mas implícita. 


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pormenores

Ando à dias e dias a pensar em pormenores... 
Eu sei, parece estranho e mesquinho, parece anormal e fora do comum tratar destas questões, mas de facto para mim, hoje, fazem sentido! 
Analisem comigo: inicialmente foram precisos estreitarem-se laços familiares e desde logo foste um pormenor, pois sentaste-te mesmo em frente da minha alma para que te pudesse observar e sentir tal e qual aquilo que transmitias, não, não te conhecia antes e nem pela minha memória passavas, mas acontecimento feliz/infeliz levou-nos aos dois para o mesmo local e a ser eu sem mas nem porquê a pedir-te a tua identificação - atrevida, não! na altura a ignorância da importância de quem tu eras fez-me reagir por pura gentileza fazendo seguir assim, o caminho paralelo que nos guiava e que mais uma vez, por mero pormenor iluminas-te, dizendo que estavas lá, sim no meio da tempestade, tu olhavas em redor em busca da minha presença, seguiu-se a noite das sete maravilhas, que sem quês nem porquês marcou um ciclo de musica e presença e a preocupação instintiva sobressaiu e fez a diferença que nós sabemos - passas-te a ser o meu pormenor, que existe, que me protege, que é segredo no conhecido, que é gentileza no desconhecido, que é cobiça e apelo. 

Hoje, és pormenor em cada gesto, em cada palavra e em cada acção. És pormenor na forma como entras-te, és pormenor na glorificação do dia, és um pormenor que brilha. 

És pormenor no meu pensamento, a cada sorriso que espalho, a palavra que leio,  a cada momento que lembro* 



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Dama e Vagabundo

Todos nós reconhecemos este filme. Fez parte da minha infância e cada vez que penso no filme lembro-me sempre no carinho do momento da massa que é partilhada e termina num beijo, sentido e suave. 
Neste últimos tempos tenho-me, de facto, sentido uma Dama, não por de repente ter começado a usar brilhantes, pisar um salto alto ou pintar as unhas; não porque passei a jantar em restaurantes em plena luxuria da cidade ou a frequentar a ópera local, mas porque de repente eu sinto o brilho do meu sorriso e do meu olhar, eu sinto-me todos os dias com a pele regenerada e tonificada, eu sinto-me acompanhada por uma luz que brilha e me torna a Dama "Querida" do filme. 
E tu és o meu Vagabundo, e sabes porquê? Porque roubaste-me a direcção e o pensamento e fazes-me sentir a vida de uma outra forma, nova mas bela e especial, onde a imaginação e os impulsos se apoderam e constroem a nossa história infantil e aconchegada. 
Mas voltando à cena inicial, nós não temos a massa nem a partilhamos, nós não temos o pêlo que se toca, nós não temos o restaurante italiano, não temos a luz das velas, mas temos muito mais, nós somos cúmplices neste segredo de sentimentos, nós temos o calor do momento, temos a pele que se entrelaça, o mimo de um rosto que pica e que aconchega, temos atenção e o carinho que se multiplica.  

Em síntese, tu como meu Vagabundo, raptaste-me e agora peço-te que me leves contigo, mostrando-me cada beco por onde te escondes, me protejas de cada perigo externo a nós, me acaricies o rosto, me abraces, pois à tua beira eu sinto-me leve como uma pena, pronta para voar contigo ao sabor de cada brisa que soprares! 







terça-feira, 5 de junho de 2012

Sala de Jantar

Adivinhem o panorama... início do século, um palácio, uma mesa do tamanho da largura do meu quarto (e olhem que ele ainda é grandote), essa mesa era de madeira acompanhada de dois grandes castiçais de crista,l um aglomerado de cor e dois grandes cadeirões em cada ponta da mesa. Por cima, iluminava o grande candeeiro também ele de cristal e brilhava, muito. Em cada ponta, nós, os dois, sim, eu de vestido comprido, cintado com um corpete que diga-se enaltecia o peito de uma forma nunca antes por mim apreciado - era verde, mas um verde relva lavado, primaveril que surtia sorrisos e tu, ah tu estavas, não sei, como ei-de eu descrever-te? Estavas com charme incalculável, revestido com o fato de grilo e cabelo encaracolado! 

Estávamos sentados, cada um na sua ponta, e digam era uma época impessoal, mas eu não acho! Tudo em nós surtia, não havia palavras, não havia gestos, havia apenas e só duas pessoas a pensar exactamente o mesmo e a tirar a mesma conclusão: éramos nós que estávamos ali, puros estranhos mas verdadeiramente conhecidos, pois tudo sabíamos, tudo sentíamos, era cumplicidade pura que existia ali naquele momento de silêncio. 

Foi neste momento de silêncio que acordei e te pedi que não fosses. Sei que não tinhas vontade de ir, sei também que não querias ir, deixaste-te com o belo toque imperceptível por todos mas sentido por mim... foste e ao longe te avistei até ao fim, sonhando alto, em telepatia para contigo, com a imagem de quem mimo precisa , de quem sonhos gostava de viver, tal e qual a Bela Adormecida!