Adivinhem o panorama... início do século, um palácio, uma mesa do tamanho da largura do meu quarto (e olhem que ele ainda é grandote), essa mesa era de madeira acompanhada de dois grandes castiçais de crista,l um aglomerado de cor e dois grandes cadeirões em cada ponta da mesa. Por cima, iluminava o grande candeeiro também ele de cristal e brilhava, muito. Em cada ponta, nós, os dois, sim, eu de vestido comprido, cintado com um corpete que diga-se enaltecia o peito de uma forma nunca antes por mim apreciado - era verde, mas um verde relva lavado, primaveril que surtia sorrisos e tu, ah tu estavas, não sei, como ei-de eu descrever-te? Estavas com charme incalculável, revestido com o fato de grilo e cabelo encaracolado!
Estávamos sentados, cada um na sua ponta, e digam era uma época impessoal, mas eu não acho! Tudo em nós surtia, não havia palavras, não havia gestos, havia apenas e só duas pessoas a pensar exactamente o mesmo e a tirar a mesma conclusão: éramos nós que estávamos ali, puros estranhos mas verdadeiramente conhecidos, pois tudo sabíamos, tudo sentíamos, era cumplicidade pura que existia ali naquele momento de silêncio.
Foi neste momento de silêncio que acordei e te pedi que não fosses. Sei que não tinhas vontade de ir, sei também que não querias ir, deixaste-te com o belo toque imperceptível por todos mas sentido por mim... foste e ao longe te avistei até ao fim, sonhando alto, em telepatia para contigo, com a imagem de quem mimo precisa , de quem sonhos gostava de viver, tal e qual a Bela Adormecida!

imaginei e senti-me.
ResponderEliminarpena que desapareci, ceguei, morri quando à realidade volvi.