quinta-feira, 14 de junho de 2012

Dama e Vagabundo

Todos nós reconhecemos este filme. Fez parte da minha infância e cada vez que penso no filme lembro-me sempre no carinho do momento da massa que é partilhada e termina num beijo, sentido e suave. 
Neste últimos tempos tenho-me, de facto, sentido uma Dama, não por de repente ter começado a usar brilhantes, pisar um salto alto ou pintar as unhas; não porque passei a jantar em restaurantes em plena luxuria da cidade ou a frequentar a ópera local, mas porque de repente eu sinto o brilho do meu sorriso e do meu olhar, eu sinto-me todos os dias com a pele regenerada e tonificada, eu sinto-me acompanhada por uma luz que brilha e me torna a Dama "Querida" do filme. 
E tu és o meu Vagabundo, e sabes porquê? Porque roubaste-me a direcção e o pensamento e fazes-me sentir a vida de uma outra forma, nova mas bela e especial, onde a imaginação e os impulsos se apoderam e constroem a nossa história infantil e aconchegada. 
Mas voltando à cena inicial, nós não temos a massa nem a partilhamos, nós não temos o pêlo que se toca, nós não temos o restaurante italiano, não temos a luz das velas, mas temos muito mais, nós somos cúmplices neste segredo de sentimentos, nós temos o calor do momento, temos a pele que se entrelaça, o mimo de um rosto que pica e que aconchega, temos atenção e o carinho que se multiplica.  

Em síntese, tu como meu Vagabundo, raptaste-me e agora peço-te que me leves contigo, mostrando-me cada beco por onde te escondes, me protejas de cada perigo externo a nós, me acaricies o rosto, me abraces, pois à tua beira eu sinto-me leve como uma pena, pronta para voar contigo ao sabor de cada brisa que soprares! 







terça-feira, 5 de junho de 2012

Sala de Jantar

Adivinhem o panorama... início do século, um palácio, uma mesa do tamanho da largura do meu quarto (e olhem que ele ainda é grandote), essa mesa era de madeira acompanhada de dois grandes castiçais de crista,l um aglomerado de cor e dois grandes cadeirões em cada ponta da mesa. Por cima, iluminava o grande candeeiro também ele de cristal e brilhava, muito. Em cada ponta, nós, os dois, sim, eu de vestido comprido, cintado com um corpete que diga-se enaltecia o peito de uma forma nunca antes por mim apreciado - era verde, mas um verde relva lavado, primaveril que surtia sorrisos e tu, ah tu estavas, não sei, como ei-de eu descrever-te? Estavas com charme incalculável, revestido com o fato de grilo e cabelo encaracolado! 

Estávamos sentados, cada um na sua ponta, e digam era uma época impessoal, mas eu não acho! Tudo em nós surtia, não havia palavras, não havia gestos, havia apenas e só duas pessoas a pensar exactamente o mesmo e a tirar a mesma conclusão: éramos nós que estávamos ali, puros estranhos mas verdadeiramente conhecidos, pois tudo sabíamos, tudo sentíamos, era cumplicidade pura que existia ali naquele momento de silêncio. 

Foi neste momento de silêncio que acordei e te pedi que não fosses. Sei que não tinhas vontade de ir, sei também que não querias ir, deixaste-te com o belo toque imperceptível por todos mas sentido por mim... foste e ao longe te avistei até ao fim, sonhando alto, em telepatia para contigo, com a imagem de quem mimo precisa , de quem sonhos gostava de viver, tal e qual a Bela Adormecida!   





sábado, 2 de junho de 2012

Esconderijo

Vou contar-vos um segredo ... quando era pequenina adorava correr ao longo do piso em terra batida cheio de pinheiros e plátanos, onde as pinhas nos chão eram mais que muitas e os pinhões, esses eram quem mais os procurava. 
Adorava esconder-me atrás das árvores, encolhida de joelhos junto ao peito, onde esconder a cara por detrás das minhas repas encaracoladas era a solução. Usava calções e sandálias e no chão sonhava, com a liberdade que era poder estar ali, escondida de todos, onde só os pássaros se ouviam e toda a minha vida era transformada no conto escuro revolto no medo. 
Esse medo foi evoluindo comigo e com a idade a passar julgava já não era permitido correr de braços abertos e levar comigo a liberdade daqueles pensamentos, fazendo com que me fosse contorcendo cada vez mais, mas desta vez no meio da rua poluída, que realçavam o espaço que eu ocupava, as luzes que cegavam o meu valor e a vergonha aumentava, aumentava, cada vez, mais e mais... 

Este era o cenário até à bem pouco tempo, hoje mudei de vida, não sei o futuro, mas sei que tal como na inocência da minha infância eu preservei a liberdade dos meus pensamentos e no presente eu quero voltar a ser eu! 
Consciencializei-me desta realidade, com a ajuda de quem se tem escondido comigo e aberto uma janela todos os dias um bocadinho e mostrado um mundo diferente, um mundo de cumplicidade e carícias, um mundo de carências e mimos
Hoje, encontrei novamente o esconderijo da minha infância e encontro-me novamente encolhida mas desta vez apoiada! 



domingo, 27 de maio de 2012

Luzes

Pois é minha gente, acreditem, estava complicado! 
Imaginem lá, estarem obrigados a estar fechados, horas, num local onde sabem que a mentira e a falsidade é preponderante?! Domina e corrói qualquer um que lá esteja e quando confrontados, a cobardia fala mais alto e aí é o sorriso cínico e cheio de malvadez que faz escurecer toda a réstia de compaixão que ainda poderia existir! 
Mas não é disso que quero falar, este era só o cenário em que eu me encontrava minutos antes de abrir a cela e sair em liberdade. Saí, era fim de tarde, e mal sabia a maravilhosa realidade que tinha pela frente, pois eis que olho a linha do horizonte e vejo luzes, verdes, cor-de-rosa, amarelas, vermelhas, enfim quase que um arco-íris a condizer com o meu sorriso! Inicialmente, a pressa de as absorver foi maior e nem reparei quem é que as lançava, e quando reflicto, descodifico e vejo que eras tu que inexplicavelmente estavas no meu inconsciente. 
Horas passaram de indecisão, de confusão mas com a certeza que queria ter o privilégio de ver aquelas luzes brilhar, fosse longe ou perto, eu queria senti-las e ouvi-las no com-paço do bater do meu coração. 
Sentia que tinha tudo controlado, viajei com a garantia de que o caminho era meu, seguro, tal e qual um GPS que delimita o caminho acertado, mas não, tempos depois percebi que a rota tinha mudado, que o transporte já não era o mesmo e a companhia também não e aí foi a maratona até encontrar o porto seguro, que nunca existiu, preferindo fugir e me deixar entregue ao inesperado. 
Mas foi aqui que percebi, sabem quando de repente, mesmo assustados sentimos que é aquele o caminho, que não vale a pena dizer que há curvas e rotundas que podem causar acidentes, porque o caminho é aquele e nada mais há a fazer? Pois, foi assim que encarei a surpresa e acalmei. 
Era as luzes que eu queria ver e vias sobre a penumbra da noite, sobre a luz da nossa lua e foi debaixo dessa mesma luz, que te partilhei e observei. Observei acima de tudo o cumprimento da regra de cedência de passagem, onde me deixas-te passar e provar da longa e larga estrada, sem semáforos a atrapalhar, da liberdade da tua companhia, sob a breve carícia do teu vento. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Adoro

Surpresa! E chegas-te tu ... ai nem acreditava quando vi, assério, eras tu. 
Olhei bem para ver ser eras, procurei-te, no sorriso e no teu olhar, procurei-te rosto a rosto para confirmar e sim, não era nenhuma visão momentânea do desejo, mas sim tu, estavas lá. Foi uma visão quente, uma visão de quem aprende a observar intrinsecamente um pedido que aceitei de imediato e mais uma vez sem ter noção que disse sim, sem adiar, sem calcular. 
Pedi opinião e disseram-me "vai, não esperes, vai" e eu fui, caminhei por ruas sem destino, passei por rostos que não distinguia, transparentes, ocos até, pois nada me transmitiam, nada lhes retinha... até que por fim, passados uns minutos, que foram horas eu te encontrei, ao fundo, na tua discreta pose de quem está e não está, de quem me suscita curiosidade, de quem tem muito para contar. 
Contar, convidaste-me para te contar histórias divagadas na pessoa, no tempo, no enigma que te envolve, que me envolve, que nos envolve, convidaste-me mais uma vez a te olhar e como eu adoro te olhar, tives-te a delicadeza de me saber olhar quando percebeste que era de ti que estava a precisar. 
Adoro era a palavra que mais me vinha à mente, estava doente de tanto adorar, a febre subia a cada minuto que passava e o internamento estava próximo, mas eu não me importava, aquele lugar era seguro, era aconchegado e eu não poderia exigir mais dos serviços, tive a pensão completa dos cuidados, da segurança, do conforto, mesmo passando por várias convulsões, ao qual tu resistis-te e receitas-te deixando mais uma colher de xarope, doce, como tu, e como eu mais uma vez, adoro! 

Seguimos caminho, mas a vacina do mimo é urgente e faz parte do tratamento?! Dás-ma?! 



terça-feira, 22 de maio de 2012

No mundo da Lua

Ai vida, que partida me pregas-te! 
A serio que não contava com tamanha surpresa, com tamanha euforia de sentimentos. Ai meu Deus, não  lembrava já como era me sentir assim, onde andei este tempo todo? Em outra vida? Não iluminada? 
É porque me sinto a gravitar na Lua, onde tudo à volta são estrelas que me ajudam a caminhar. Sim, eu sei, nem sempre são dias assim, e acreditem que ontem, aíi o dia de ontem, parecia que estava tudo contra, seria do nº11?! pois, não sei! mas foi horrível! Não sabia já caminhar, não tinha destino, andava perdida na tua imagem, na saudade que sentia e o trabalho esse não ajudava, tanto para fazer e nada conseguia concluir e na loja, aí foi o sofrimento total, que revolta, aiii ... 
Mas hoje, em comparação e ironicamente falando, hoje eu danço ao som dos meus pensamentos e sorrisos, hoje eu comprava o mundo porque ele me servia, hoje eu pedia emprestada uma estadia na lua e juntamente contigo escolhia um cantinho... não, não era preciso muito espaço, apenas um cantinho onde te pudesse olhar olhos nos olhos, sussurrar-te ao ouvido e perguntar-me como é possível estar assim...? 
Foi estranho, dizem que fiquei vermelha, ohh mas eu já sou tão corada, tão inquieta que isso quase que era mentira não fosse eu sentir as borboletas da minha estupidez gravada e destinada! 
Naquele momento, apeteceu-me correr atrás, sem nada dizer, apenas pedir com o toque que ficasses ou então que não desaparecesses. 


O amanhã eu não sei, mas hoje ... ahh hoje estou contagiada com a tua luz, linda, tal e qual à da Nossa lua, vamos?! 


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um pássaro diferente

Todos os dias adquirimos algo na vida.

Podemos adquirir amigos, objectos supérfluos, sorrisos verdadeiros, lágrimas inexplicáveis, liberdade e tantas outras coisas…

E se eu vos dissesse que um dia adquiri a amizade de um “pássaro”.

Esse mesmo “pássaro” ensinou-me tantas coisas novas mas acima de tudo ensinou-me a ver a vida de maneira diferente.
Descrever alguém é sempre difícil, então se for alguém que marca a diferença na nossa vida é mais difícil ainda…
Mas vou tentar!
Por cima das penas mostra tamanha segurança que qualquer medo de cair é secundário.
Por baixo das penas guarda, como se fosse um tesouro, a pessoa que é.
No bico transporta um sorriso seguro, verdadeiro e grande parte da sua beleza.
O seu canto transforma-se em palavras, frases, e até conselhos.
Este “pássaro” transporta mais que qualquer pássaro: liberdade, racionalidade e humanismo.
A sua expressão é leal ao seu estado de espírito, se esta feliz (canta euforicamente ate me doer os ouvidos), se esta triste (nem sequer fala). De uma coisa tenho a certeza fingir não faz parte da sua bagagem.
Há duas coisas que adoro particularmente nele.
1- A visão que faz do mundo, da vida, das pessoas é tão radical que dá até vontade de viver no seu mundo.
2- É apaixonado, por coisas simples, coisas complexas, mas é de tal maneira apaixonado que faz com que a sua filosofia de vida seja apaixonante.

Podia ficar a tarde toda a descreve-lo, é isto é aquilo, mas não valia de muito. Todos os dias ensina uma coisa nova, todos os dias são diferentes! Porque nele existe mistério e segredo.

Basta dizer que faz os que estão ao seu redor gostar dele mesmo pela sua simplicidade.

Ele não sabe, mas um dia vai aperceber-se que dentro e fora dele existe uma bolsa que contem tamanha beleza, tamanhas qualidades e defeitos que fazem com que ele seja mais especial do que a liberdade que qualquer pássaro transporta em seu poder.
Chamei-te um “pássaro” diferente porque é isso mesmo que para mim és, diferente mas um exemplo :D