Nuvens cinzentas, raios escuros e uma luminosidade muito pouco perceptível, era este o cenário!
Primeiro a ameaça, depois o vento, umas pequenas gotas e por fim, a tempestade acompanhada de um copo de álcool... o contraste era o da música serena, calma, que embalava sentimentos agradavelmente alucinantes e penetrantes de uma alma repleta de liberdade selvagem e perigosamente ferida, à muito ferida... À muito ferida!
No rosto as gotas misturaram-se e transformaram-se em lágrimas de tristeza e alegria, solidão e companhia, lume e fogo petrificado na alma, enquanto um abandonado corpo movia os passos de valsa dançados no imaginário, dançados no sonho repleto da fantasia e contrastes típicos do aconchego.
O frio era notório e o corpo nada sentia, só a alma doía! O aconchego, esse era o desejado, o venerado, o pensado e mais querido de todos, e de repente, as carícias eram sentidas pela leve brisa repentina do vento mas, este era oco, sem tamanho e sofisticação, sem cheiro, sem significado!
Pobre vestido que balança no vazio e que levantava almas corroídas e nada coloridas!
Mas, por fim, bem no fim, quando a esperança fugia, eis que as estrelas brilharam ao som do último acorde da música, como que uma prova de que afinal não tinha sido esquecido, que embalava a saudade e marcava a alma e que jamais se podia alguma vez esquecer!

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