domingo, 27 de maio de 2012

Luzes

Pois é minha gente, acreditem, estava complicado! 
Imaginem lá, estarem obrigados a estar fechados, horas, num local onde sabem que a mentira e a falsidade é preponderante?! Domina e corrói qualquer um que lá esteja e quando confrontados, a cobardia fala mais alto e aí é o sorriso cínico e cheio de malvadez que faz escurecer toda a réstia de compaixão que ainda poderia existir! 
Mas não é disso que quero falar, este era só o cenário em que eu me encontrava minutos antes de abrir a cela e sair em liberdade. Saí, era fim de tarde, e mal sabia a maravilhosa realidade que tinha pela frente, pois eis que olho a linha do horizonte e vejo luzes, verdes, cor-de-rosa, amarelas, vermelhas, enfim quase que um arco-íris a condizer com o meu sorriso! Inicialmente, a pressa de as absorver foi maior e nem reparei quem é que as lançava, e quando reflicto, descodifico e vejo que eras tu que inexplicavelmente estavas no meu inconsciente. 
Horas passaram de indecisão, de confusão mas com a certeza que queria ter o privilégio de ver aquelas luzes brilhar, fosse longe ou perto, eu queria senti-las e ouvi-las no com-paço do bater do meu coração. 
Sentia que tinha tudo controlado, viajei com a garantia de que o caminho era meu, seguro, tal e qual um GPS que delimita o caminho acertado, mas não, tempos depois percebi que a rota tinha mudado, que o transporte já não era o mesmo e a companhia também não e aí foi a maratona até encontrar o porto seguro, que nunca existiu, preferindo fugir e me deixar entregue ao inesperado. 
Mas foi aqui que percebi, sabem quando de repente, mesmo assustados sentimos que é aquele o caminho, que não vale a pena dizer que há curvas e rotundas que podem causar acidentes, porque o caminho é aquele e nada mais há a fazer? Pois, foi assim que encarei a surpresa e acalmei. 
Era as luzes que eu queria ver e vias sobre a penumbra da noite, sobre a luz da nossa lua e foi debaixo dessa mesma luz, que te partilhei e observei. Observei acima de tudo o cumprimento da regra de cedência de passagem, onde me deixas-te passar e provar da longa e larga estrada, sem semáforos a atrapalhar, da liberdade da tua companhia, sob a breve carícia do teu vento. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Adoro

Surpresa! E chegas-te tu ... ai nem acreditava quando vi, assério, eras tu. 
Olhei bem para ver ser eras, procurei-te, no sorriso e no teu olhar, procurei-te rosto a rosto para confirmar e sim, não era nenhuma visão momentânea do desejo, mas sim tu, estavas lá. Foi uma visão quente, uma visão de quem aprende a observar intrinsecamente um pedido que aceitei de imediato e mais uma vez sem ter noção que disse sim, sem adiar, sem calcular. 
Pedi opinião e disseram-me "vai, não esperes, vai" e eu fui, caminhei por ruas sem destino, passei por rostos que não distinguia, transparentes, ocos até, pois nada me transmitiam, nada lhes retinha... até que por fim, passados uns minutos, que foram horas eu te encontrei, ao fundo, na tua discreta pose de quem está e não está, de quem me suscita curiosidade, de quem tem muito para contar. 
Contar, convidaste-me para te contar histórias divagadas na pessoa, no tempo, no enigma que te envolve, que me envolve, que nos envolve, convidaste-me mais uma vez a te olhar e como eu adoro te olhar, tives-te a delicadeza de me saber olhar quando percebeste que era de ti que estava a precisar. 
Adoro era a palavra que mais me vinha à mente, estava doente de tanto adorar, a febre subia a cada minuto que passava e o internamento estava próximo, mas eu não me importava, aquele lugar era seguro, era aconchegado e eu não poderia exigir mais dos serviços, tive a pensão completa dos cuidados, da segurança, do conforto, mesmo passando por várias convulsões, ao qual tu resistis-te e receitas-te deixando mais uma colher de xarope, doce, como tu, e como eu mais uma vez, adoro! 

Seguimos caminho, mas a vacina do mimo é urgente e faz parte do tratamento?! Dás-ma?! 



terça-feira, 22 de maio de 2012

No mundo da Lua

Ai vida, que partida me pregas-te! 
A serio que não contava com tamanha surpresa, com tamanha euforia de sentimentos. Ai meu Deus, não  lembrava já como era me sentir assim, onde andei este tempo todo? Em outra vida? Não iluminada? 
É porque me sinto a gravitar na Lua, onde tudo à volta são estrelas que me ajudam a caminhar. Sim, eu sei, nem sempre são dias assim, e acreditem que ontem, aíi o dia de ontem, parecia que estava tudo contra, seria do nº11?! pois, não sei! mas foi horrível! Não sabia já caminhar, não tinha destino, andava perdida na tua imagem, na saudade que sentia e o trabalho esse não ajudava, tanto para fazer e nada conseguia concluir e na loja, aí foi o sofrimento total, que revolta, aiii ... 
Mas hoje, em comparação e ironicamente falando, hoje eu danço ao som dos meus pensamentos e sorrisos, hoje eu comprava o mundo porque ele me servia, hoje eu pedia emprestada uma estadia na lua e juntamente contigo escolhia um cantinho... não, não era preciso muito espaço, apenas um cantinho onde te pudesse olhar olhos nos olhos, sussurrar-te ao ouvido e perguntar-me como é possível estar assim...? 
Foi estranho, dizem que fiquei vermelha, ohh mas eu já sou tão corada, tão inquieta que isso quase que era mentira não fosse eu sentir as borboletas da minha estupidez gravada e destinada! 
Naquele momento, apeteceu-me correr atrás, sem nada dizer, apenas pedir com o toque que ficasses ou então que não desaparecesses. 


O amanhã eu não sei, mas hoje ... ahh hoje estou contagiada com a tua luz, linda, tal e qual à da Nossa lua, vamos?! 


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um pássaro diferente

Todos os dias adquirimos algo na vida.

Podemos adquirir amigos, objectos supérfluos, sorrisos verdadeiros, lágrimas inexplicáveis, liberdade e tantas outras coisas…

E se eu vos dissesse que um dia adquiri a amizade de um “pássaro”.

Esse mesmo “pássaro” ensinou-me tantas coisas novas mas acima de tudo ensinou-me a ver a vida de maneira diferente.
Descrever alguém é sempre difícil, então se for alguém que marca a diferença na nossa vida é mais difícil ainda…
Mas vou tentar!
Por cima das penas mostra tamanha segurança que qualquer medo de cair é secundário.
Por baixo das penas guarda, como se fosse um tesouro, a pessoa que é.
No bico transporta um sorriso seguro, verdadeiro e grande parte da sua beleza.
O seu canto transforma-se em palavras, frases, e até conselhos.
Este “pássaro” transporta mais que qualquer pássaro: liberdade, racionalidade e humanismo.
A sua expressão é leal ao seu estado de espírito, se esta feliz (canta euforicamente ate me doer os ouvidos), se esta triste (nem sequer fala). De uma coisa tenho a certeza fingir não faz parte da sua bagagem.
Há duas coisas que adoro particularmente nele.
1- A visão que faz do mundo, da vida, das pessoas é tão radical que dá até vontade de viver no seu mundo.
2- É apaixonado, por coisas simples, coisas complexas, mas é de tal maneira apaixonado que faz com que a sua filosofia de vida seja apaixonante.

Podia ficar a tarde toda a descreve-lo, é isto é aquilo, mas não valia de muito. Todos os dias ensina uma coisa nova, todos os dias são diferentes! Porque nele existe mistério e segredo.

Basta dizer que faz os que estão ao seu redor gostar dele mesmo pela sua simplicidade.

Ele não sabe, mas um dia vai aperceber-se que dentro e fora dele existe uma bolsa que contem tamanha beleza, tamanhas qualidades e defeitos que fazem com que ele seja mais especial do que a liberdade que qualquer pássaro transporta em seu poder.
Chamei-te um “pássaro” diferente porque é isso mesmo que para mim és, diferente mas um exemplo :D

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Semana

É... a palavra Semana faz todo o sentido, hoje! 
Eu explico porquê, porque uma nova vida está a ser vivida, porque outras vidas passaram para o lado de lá do esquecimento, mas não da preocupação, pois essa é constante e traz o fogo que tenho medo de  novamente tocar, traz ao de cima um enevoado que  tal como o dia de hoje, espero que não se torne escuro e não comece a pingar... iria custar ter que correr a avenida para fugir desta trovoada que se adivinha da tua vida próxima, por isso, abriga-te enquanto podes, enquanto te avisam do perigo que estás a correr, porque se não, lá virá como na Mensagem, o "Mostrengo" para te assombrar e levar de ti a réstia de cultura e sanidade que ainda teimam em não fugir. 
Mas semana não é feita só disto, nuvens, é feita também de um pó que foi depositado em mim, tal e qual um pó de arroz que a princesas usam no rosto, branco de pureza e liberdade, branco de renovação e bem-haja ao novo dia. 
Vão-me achar maluca, mas ao longo desta semana senti-me quase como uma Gueixa, uma mulher japonesa em pleno estudo daquela que é tradição milenar da arte da sedução, da dança, do canto e sabem, andei a treinar tudo isto em mim, para ti mas para mim, para nós mas para mim, para o meu ego sobretudo. 
Sinto-me a curar feridas, a construir castelos imaginários de uma vida ao qual acredito mas que muito me falta para a construir... 

E foi assim.... semana! 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Imaginação

"Ao fundo, ali, sim ali mesmo, na esquina, olha que está na hora, por isso, é normal que seja!"
Pois foi exactamente este monólogo que foi feito por mim, hoje, quando avistei algo parecido com o que sonhava, alucinações é assim que se costuma dizer, mas não, não era... era este, aquele e outro, tudo menos a minha imagem encaracolada e sorridente, tudo menos os olhos que preciso urgentemente de questionar, porque sabem, tantas opiniões que já ouvi sobre esta minha maluqueira, mas, ninguém sabe de ti, parte incerta! Nem eles, nem eu, nem nós, porque imagina lá uma mesa, sim tal e qual como no inicio, recheada de convívio e palavras, sorrisos, abraços e companhia, mas faltou-me sempre, a sobremesa, sim aquele doce indispensável, aveludado que aconchega a alma, que tem consequências vastas mas que ignoramos, pois, o prazer sobrepõe-se, a saliva aumenta e garanto, teriam sido uns largos minutos de prazer oculto, misterioso, sentido e perverso por vezes... 
Hum, lê e imagina! 


sábado, 12 de maio de 2012

Rebuliço

Não sei o que se passa... onde vim parar? Que mundo é este?
Por favor, respondam-me pensamentos novos, imagens novas, luzes novas, arrepios novos?
Onde estou eu a entrar, sem querer, mais uma vez num precipício, num buraco sem fundo ou numa aventura boa de ser vivida e bem intencionada desta vez?
Desculpem-me tantas perguntas, mas é que, de repente, pensei que não estava a viver a mesma vida que há um mês atrás, sim, é pouco tempo eu sei, mas... o facto é que... a rota mudou meio de sentido e fiquei parada numa paragem nova, na beira da estrada, onde ouço música, sorrisos, abraços, mimos, atenção, convites e mais uma vez, medo, ciúmes, e a idade cronológica invertida desta vez...
Mas por falar em tempo, horas passaram a ser minutos e minutos instantes que fazem o pensamento voar e voar... a noite embalou e o amanhecer proporcionou a carícia suave da troca e agora eis o que restou, a confusão!!
Haviam dois caminhos para escolher e escolhi de imediato aquele, sem pensamento, sem mas nem porquês, de cabeça, mas com uma mão segura que me amparou quase todo o tempo, quase todos o instante...
E foi aí... no momento em que me senti desamparada que adiei a decisão face à proposta e cheia de medo mais uma vez decidi numa verdade não verdadeira da realidade e me arrependi....


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Chuva

Nuvens cinzentas, raios escuros e uma luminosidade muito pouco perceptível, era este o cenário! 
Primeiro a ameaça, depois o vento, umas pequenas gotas e por fim, a tempestade acompanhada de um copo de álcool... o contraste era o da música serena, calma, que embalava sentimentos agradavelmente alucinantes e penetrantes de uma alma repleta de liberdade selvagem e perigosamente ferida, à muito ferida... À muito ferida! 
No rosto as gotas misturaram-se e transformaram-se em lágrimas de tristeza e alegria, solidão e companhia, lume e fogo petrificado na  alma, enquanto um abandonado corpo movia os passos de valsa dançados no imaginário, dançados no sonho repleto da fantasia e contrastes típicos do aconchego.  
O frio era notório e o corpo nada sentia, só a alma doía! O aconchego, esse era o desejado, o venerado, o pensado e mais querido de todos, e de repente, as carícias eram sentidas pela leve brisa repentina do vento mas, este era oco, sem tamanho e sofisticação, sem cheiro, sem significado! 
Pobre vestido que balança no vazio e que levantava almas corroídas e nada coloridas! 
Mas, por fim, bem no fim, quando a esperança fugia, eis que as estrelas brilharam ao som do último acorde da música, como que uma prova de que afinal não tinha sido esquecido, que embalava a saudade e marcava a alma e que  jamais se podia alguma vez esquecer! 
  

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Loucura

Entrar nesta viagem foi talvez das maiores loucuras da minha vida! 
Digo loucura, mas poderia dizer desejo, vontade, medo... tudo palavras fortes que qualificam esta minha ida. Sabem aquela sensação do desconhecido "completamente à nora"? Pois, era mesmo assim que eu estava; todos os dias eram incertos, e agora qual o caminho a seguir? amanhã onde vou estar? qual o comboio que me vai levar? e não, não foram os transportes que me levaram, mas a minha alma, sim, levou-me até, aquela que aparentemente é uma  igreja repleta de passado e sofrimento, a mim transmitiu-me o certo e a mudança incerta. A partir desse momento, foi mudança atrás de mudança, rostos, fisionomias, danças, cantares, sorrisos e orgulho, muito orgulho em fazer parte, em estar lá, mesmo, por vezes, indo ao contrário do que sou e do que faço, engolindo todos os podres que existem, mas que em confronto com esse meu orgulho, esse meu crescimento, é uma chama muito pequena que eu só permito que acendam quando eu estou disposta para tal! 
Ganhei tantas defesas, tantas ginástica de palavras face ao correcto e ao incorrecto, ao bem e ao mal que houve um momento decisivo, onde senti que a responsabilidade tinha que ser elevada... não, não bastava querer sonhar, não, não bastava sentir-me como sempre me senti mimada por vocês, não! era a vez de ter de assumir a responsabilidade de ensinar o caminho a outro, a ti, que sempre disse que serias meu e a ti que por um largo sorriso de simpatia, eu conquistei de ti a fidelidade ao longo deste tempo transmitido e a ti, não menos importante, conquista imediata!   
É tempo de vos lançar, meus corvos feridos, voem, voem o mais alto que conseguirem, que estarei sempre, aqui, por debaixo da minha capa, a ver-vos voar e a conquistar!
Quanto a mim, resta-me despedir de quem me protegeu e me embalou, resta-me levar-vos no coração, pois, chegou a vossa hora, a hora de partir!! 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ciumes*

É com insultos que me dirijo a ti a cada pensamento, a cada imagem inacabada do momento em que divulgaria a nossa verdade ao mundo! Ao nosso mundo sujo,que está estragado, impregnado de lixeira que deixamos entrar, de marcas registadas tal e qual fósseis, que estão anos e anos para se descobrir e quando descobrimos sabemos que é para sempre, passa a ser património (quase genético) que manipula as nossas acções...
- Merda! foi o que disse depois de ter tomado a decisão, precipitada? insegura? urgente? talvez, saberei ao longo deste próximos dias o que a minha sanidade mental diz.
Fica lá com a bebida do outro, a companhia fria de um corpo gélido que te corrói e manipula e com tudo aquilo ao qual tu, por mais que avisado, corres atrás. Não, não te admires desta minha franqueza, é a verdade e todo o mundo vê e lê nos teu olhos. Eu própria sei o que me transmitiste hoje, no meio do nada, do inespressivo silêncio, da aparente monotonia, toda a tua posição foi de defesa, porque ele te fez achar "o rei  do mundo", com ele podes tudo, comigo podes nada. Ele elege-te como a taça ganha numa batalha de esgrima contra mim... e tu vais, cobarde de merda! vais e olhas para trás, sempre, mas não tens força, nem coragem, acanhas-te perante uma abominavel criança grande e manipuladora, sozinha no mundo das suas fantasias que sabes que existe mas finges não ver!!
- Ciumes diz ele!... muito bem, pois são! Sabes bem que o caminho certo não era este, mas sim o que me prometeste, tempos antes, onde o calor reinava e o longinquo também. Aí sim, aí eu, a aquela que gostavas que fosse tua puta, estava lá, de pernas abertas pronta para te receber, vendada daquilo a que chamaria ilusão.
- E tu o que dizes? nada?