Pois é minha gente, acreditem, estava complicado!
Imaginem lá, estarem obrigados a estar fechados, horas, num local onde sabem que a mentira e a falsidade é preponderante?! Domina e corrói qualquer um que lá esteja e quando confrontados, a cobardia fala mais alto e aí é o sorriso cínico e cheio de malvadez que faz escurecer toda a réstia de compaixão que ainda poderia existir!
Mas não é disso que quero falar, este era só o cenário em que eu me encontrava minutos antes de abrir a cela e sair em liberdade. Saí, era fim de tarde, e mal sabia a maravilhosa realidade que tinha pela frente, pois eis que olho a linha do horizonte e vejo luzes, verdes, cor-de-rosa, amarelas, vermelhas, enfim quase que um arco-íris a condizer com o meu sorriso! Inicialmente, a pressa de as absorver foi maior e nem reparei quem é que as lançava, e quando reflicto, descodifico e vejo que eras tu que inexplicavelmente estavas no meu inconsciente.
Horas passaram de indecisão, de confusão mas com a certeza que queria ter o privilégio de ver aquelas luzes brilhar, fosse longe ou perto, eu queria senti-las e ouvi-las no com-paço do bater do meu coração.
Sentia que tinha tudo controlado, viajei com a garantia de que o caminho era meu, seguro, tal e qual um GPS que delimita o caminho acertado, mas não, tempos depois percebi que a rota tinha mudado, que o transporte já não era o mesmo e a companhia também não e aí foi a maratona até encontrar o porto seguro, que nunca existiu, preferindo fugir e me deixar entregue ao inesperado.
Mas foi aqui que percebi, sabem quando de repente, mesmo assustados sentimos que é aquele o caminho, que não vale a pena dizer que há curvas e rotundas que podem causar acidentes, porque o caminho é aquele e nada mais há a fazer? Pois, foi assim que encarei a surpresa e acalmei.
Era as luzes que eu queria ver e vias sobre a penumbra da noite, sobre a luz da nossa lua e foi debaixo dessa mesma luz, que te partilhei e observei. Observei acima de tudo o cumprimento da regra de cedência de passagem, onde me deixas-te passar e provar da longa e larga estrada, sem semáforos a atrapalhar, da liberdade da tua companhia, sob a breve carícia do teu vento.






