sexta-feira, 4 de maio de 2012

Loucura

Entrar nesta viagem foi talvez das maiores loucuras da minha vida! 
Digo loucura, mas poderia dizer desejo, vontade, medo... tudo palavras fortes que qualificam esta minha ida. Sabem aquela sensação do desconhecido "completamente à nora"? Pois, era mesmo assim que eu estava; todos os dias eram incertos, e agora qual o caminho a seguir? amanhã onde vou estar? qual o comboio que me vai levar? e não, não foram os transportes que me levaram, mas a minha alma, sim, levou-me até, aquela que aparentemente é uma  igreja repleta de passado e sofrimento, a mim transmitiu-me o certo e a mudança incerta. A partir desse momento, foi mudança atrás de mudança, rostos, fisionomias, danças, cantares, sorrisos e orgulho, muito orgulho em fazer parte, em estar lá, mesmo, por vezes, indo ao contrário do que sou e do que faço, engolindo todos os podres que existem, mas que em confronto com esse meu orgulho, esse meu crescimento, é uma chama muito pequena que eu só permito que acendam quando eu estou disposta para tal! 
Ganhei tantas defesas, tantas ginástica de palavras face ao correcto e ao incorrecto, ao bem e ao mal que houve um momento decisivo, onde senti que a responsabilidade tinha que ser elevada... não, não bastava querer sonhar, não, não bastava sentir-me como sempre me senti mimada por vocês, não! era a vez de ter de assumir a responsabilidade de ensinar o caminho a outro, a ti, que sempre disse que serias meu e a ti que por um largo sorriso de simpatia, eu conquistei de ti a fidelidade ao longo deste tempo transmitido e a ti, não menos importante, conquista imediata!   
É tempo de vos lançar, meus corvos feridos, voem, voem o mais alto que conseguirem, que estarei sempre, aqui, por debaixo da minha capa, a ver-vos voar e a conquistar!
Quanto a mim, resta-me despedir de quem me protegeu e me embalou, resta-me levar-vos no coração, pois, chegou a vossa hora, a hora de partir!! 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ciumes*

É com insultos que me dirijo a ti a cada pensamento, a cada imagem inacabada do momento em que divulgaria a nossa verdade ao mundo! Ao nosso mundo sujo,que está estragado, impregnado de lixeira que deixamos entrar, de marcas registadas tal e qual fósseis, que estão anos e anos para se descobrir e quando descobrimos sabemos que é para sempre, passa a ser património (quase genético) que manipula as nossas acções...
- Merda! foi o que disse depois de ter tomado a decisão, precipitada? insegura? urgente? talvez, saberei ao longo deste próximos dias o que a minha sanidade mental diz.
Fica lá com a bebida do outro, a companhia fria de um corpo gélido que te corrói e manipula e com tudo aquilo ao qual tu, por mais que avisado, corres atrás. Não, não te admires desta minha franqueza, é a verdade e todo o mundo vê e lê nos teu olhos. Eu própria sei o que me transmitiste hoje, no meio do nada, do inespressivo silêncio, da aparente monotonia, toda a tua posição foi de defesa, porque ele te fez achar "o rei  do mundo", com ele podes tudo, comigo podes nada. Ele elege-te como a taça ganha numa batalha de esgrima contra mim... e tu vais, cobarde de merda! vais e olhas para trás, sempre, mas não tens força, nem coragem, acanhas-te perante uma abominavel criança grande e manipuladora, sozinha no mundo das suas fantasias que sabes que existe mas finges não ver!!
- Ciumes diz ele!... muito bem, pois são! Sabes bem que o caminho certo não era este, mas sim o que me prometeste, tempos antes, onde o calor reinava e o longinquo também. Aí sim, aí eu, a aquela que gostavas que fosse tua puta, estava lá, de pernas abertas pronta para te receber, vendada daquilo a que chamaria ilusão.
- E tu o que dizes? nada? 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Ele falava,
Ela SORRIA,
Ele nem notava,
Ela seduzia,
Ele sorria,
Ela SONHAVA.

Ela encostava,
Ele FUGIA,
Ela suspirava,
... Ele TREMIA,
Ela tentava,
Ele não via.

Ela insinuou,
Ele nem viu,
Ela ROÇOU,
Ele resistiu,
Ela avançou
Ele fugiu.

Ela não desistiu,
Ele GOSTOU,
Ela despiu,
Ele a AMOU,
Eles se amaram…

ELES se amaram." ♥**

Francis Raposo Ferreira

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Colecionar segredos**

A minha vida é guardada numa caixa de segredos, repleta de viagens realizadas ou sonhadas, momentos, concertos, imagens e até recordações de chupas ou pastilhas comidas aqui ou ali. Existem cartas também, umas desabafos, outras partilhas, outras a felicitar e outras com sentimentos de amizade e responsabilidade e tal como alguém disse "temos que nos apoiar sempre" - esta é a pura realidade de que vive preocupado mesmo sem quase se conhecer, mas assumindo responsabilidade !


Por fim, o mais ironico destes segredos todos, é que TU, segredo que faço questão de guardar, não te encontras em nenhuma caixa mas sim, na minha mente e ao contrário de todos os outros que para os rever preciso de abrir ve-los brilhar, contigo é diferente, andas sempre comigo, por isso, não és um segredo mas sim um TESOURO, só ainda não sei o teu verdadeiro valor*

segunda-feira, 9 de abril de 2012


                               não pertendia domesticar, apenas poder caminhar lado a lado...**
                                                                         Parabéns*

sábado, 7 de abril de 2012



diz que fica, diz que vai . diz que não sabe, diz que tem, diz que gosta, diz que ama . diz tanta coisa, de tantos jeitos que eu já nem sei mais o que é verdade atrás dos teus dizeres **

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aviso da lua que menstrua**

"Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
... E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!" - Elisa Lucinda*